A pedagogia da graça

domingo, 10 de setembro de 2017
Posted by FrTutorial no Brasil
A pedagogia da graça (2.12,13)
“Educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (2.12,13). Paulo enfatiza aqui três grandes verdades. Em primeiro lugar, a graça nos educa para renegarmos o
m al(2.12). “Educando-nos para que, renegadas a impiedade
e as paixões mundanas, vivamos, no presente século...”
(2.12a). A graça de Deus é pedagógica. Ela é educadora.
Ela nos ensina a viver. Ser cristão é estar matriculado na
escola da graça. O primeiro destaque de Paulo é que a
T ito e F ilemom - doutrina e vida um binôm io inseparável graça nos educa mediante a forte disciplina de renegarmos a impiedade e as paixões mundanas. Kelly diz que o caráter desse rompimento é ressaltado no original pela palavra grega traduzida “renegadas”, que é um particípio passado, indicando uma açlo consumada de uma vez por t o d a s . R e n e g a r significa renunciar, abdicar, ser capaz de dizer não.^'^ Antes de falar positivamente acerca do que devemos ser e fazer, Paulo fala sobre o que devemos repudiar e rejeitar.

O que a graça de Deus nos ensina a rejeitar? A graça nos ensina a renegar a falsa teologia (2.12a). A
palavra grega asebeia, “impiedade”, refere-se à rejeição de tudo o que é reverente e de tudo o que tem
a ver com Deus.^"^ Hans Burki diz que a palavra asebeia aponta para o passado, para uma vida sem e contra Deus.^'^ A impiedade tem a ver com aquilo que se opõe à verdadeira adoração e devoção a Deus. A impiedade é uma relação errada com Deus. Ela tem a ver com uma teologia errada, ou seja, com a distorção da verdade. O ímpio é aquele que não leva Deus
em conta e, por isso, não leva Deus a sério. O ímpio não se
deleita em Deus, não tem prazer em Deus. Ao contrário, ele abomina a beatitude.
A graça nos ensina a renegarafalsa ética (2.12a). As paixões mundanas são consequência da impiedade. A perversão é filha da impiedade (Rm 1.18). As paixões mundanas decorrem de um relacionamento errado com Deus. Essas paixões mundanas têm a ver com uma vida desregrada na área da mente, da língua e do sexo. Essas paixões descrevem
um estilo de vida pervertido. William Hendriksen diz que essas paixões mundanas incluem o desejo sexual desordenado, o alcoolismo, o desejo excessivo por possessões materiais e a agressividade. A graça de Deus, o fundamento de uma vida santa

Em suma, referer-se aos anelos desordenados de prazeres,
poder e possessões, ou seja, sexo, poder e dinheiro.^'®
John Stott está coberto de razão quando afirma que
a graça de Deus nos disciplina a renunciar à nossa velha
vida e a viver uma nova vida, a passar da impiedade para
a piedade, do egoísmo ao autocontrole, dos caminhos desonestos a um tratamento justo com todos os demais. Hans Burki alerta para o fato de que, quando as paixões mundanas não são renegadas, a graça se torna barata e a pessoa se evade da escola da graça. Muitos métodos de evangelização e missão se mostram não bíblicos quando falam apenas da fé no Salvador dos pecadores, mas não igualmente da abdicação ao pecado. Assim, sob a influência da graça educadora de Deus as paixões mundanas não são
negadas, mas renegadas.^^“ Em segundo lugar, a graça nos educa para praticarmos o
bem (2.12b). “Vivamos, no presente século, sensata, justa
e piedosamente” (2.12b). Depois de tratar do aspecto negativo,
Paulo se volta para o positivo. Agora, ele fala sobre
como a graça de Deus nos educa para praticarmos o bem. A
salvação não é apenas uma mudança de situação, mas tam bém
de atitude. A pedagogia da graça nos educa em nosso
relacionamento conosco, com o próximo e com Deus.
Nessa mesma linha de pensamento, Kelly diz que os três
advérbios que Paulo emprega definem sucessivamente o relacionamento do cristão consigo, com o próximo e com Deus.^^' A graça nos educa para vivermos relacionamentos
certos dentro, fora e para cima.^^^ A graça nos ensina o correto relacionamento com nós mesmos (2.12b). “Vivamos, no presente século, sensata...”. A palavra grega sophronos traz a ideia de prudência, autocontrole ou moderação.“ "^ A sensatez tem a ver com
T ito E Filem om -doutrina e vida um binôm io inseparável______________________ O domínio próprio, com a vida controlada. Sensatez é ter
seus impulsos, instintos, ações e reações sob controle. É a maneira correta de lidar consigo mesmo. Na linguagem de William Hendriksen, sensatez é fazer uso adequado dos desejos e impulsos que nao sao pecaminosos em si mesmos, e vencer os que são pecaminosos.^^"^ O cristão vive “no presente século”, mas nao em conformidade com ele nem para ele. Cristo nos remiu “[...] deste m undo perverso” (Gl 1.4), e não devemos nos conformar com ele (Rm 12.1 ,2 ).225 A graça nos ensina o correto relacionamento com o próximo (2.12b). “Vivamos, no presente século [...] justamente...”.

A justiça fala do nosso correto relacionamento com o próximo. Uma pessoa justa é aquela que não se coloca acima dos outros nem tenta diminuí-los. Ela concede aos outros o que lhes é devido. Viver de forma justa é demonstrar integridade no trato com os demais.^^*’ Albert Barnes diz
corretamente que a fé cristã nos ensina a cumprir nossos deveres, votos, alianças e contratos com f i d e l i d a d e . A graça nos ensina o correto relacionamento com Deus (2.12b). “Vivamos, no presente século [...] piedosamente”. A piedade está ligada ao nosso correto relacionamento com
Deus. E o verdadeiro fervor e reverência para com o único que é objeto da a d o r a ç ã o . Somente a graça pode nos tomar pela mão e nos conduzir a um íntimo relacionamento com Deus. Concordo com Warren Wiersbe quando diz que a graça de D eus não apenas nos salva, mas também nos
ensina como viver a vida cristã. Aqueles que usam a graça de Deus como desculpa para pecar jamais experimentaram seu poder salvador (Rm 6.1; Jd 4). A mesma graça de Deus (]ue nos redime é também a graça que nos renova e nos capacita a obedecer à sua Palavra (2.14).^^^

A graça de Deus, o fundamento de uma vida santa Em terceiro lugar, a graça nos educa para aguardarmos a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus (2.13). “Aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” (2.13). Depois de ter falado da epifania da graça (2.11), agora Paulo fala da epifania da glória.
John Stott diz que aquele que apareceu brevemente no cenário da História, e
desapareceu, um dia vai reaparecer. Ele apareceu em graça; ele reaparecerá em glória.
O cristão olha para trás e glorifica a Deus porque a graça o libertou da impiedade e das paixões mundanas. Ele olha para o presente e exalta a Deus porque tem uma correta relação consigo, com o próximo e com o próprio Deus. Ele olha para o futuro e se santifica porque vive
na expectativa da epifania do seu grande Deus e Salvador Cristo Jesus. A graça de Deus nos libertou de nossas m azelas do passado, restaurou nossa vida no presente e nos
m antém na ponta dos pés com uma gloriosa expectativa
em relação ao futuro, quando o nosso grande Deus e Salvador
Jesus Cristo há de voltar em glória e poder. E im possível
que aqueles que m antêm essa gloriosa esperança da volta de Jesus se recusem a entregar-se completamente a Deus. João Calvino entende que essa manifestação da glória de Jesus Cristo é mais do que a glória com a qual ele é glorioso nele mesmo; é também a glória por meio da qual ele se difundirá por todas as partes, a fim de que todos os seus eleitos participem dela. Paulo chama Jesus Cristo de grande Deus porque sua grandeza, a qual os homens têm obscurecido com o vão esplendor deste mundo, será plenamente manifestada no último dia. Então, o brilho do
T ito e F ilemom - doutrina e vida um binôm io inseparável
m undo que hoje parece grande aos nossos olhos perderá completamente sua pompa.^^'
Paulo chama a epifania da glória de “bendita esperança”. Na verdade, o que começa com graça termina com glória. Warren Wiersbe diz corretamente que a volta gloriosa
de Cristo é mais do que uma bendita esperança; é uma esperança cheia de alegria (Rm 5.2; 12.12), uma esperança unificadora (Ef 4.4), uma viva esperança (IPe 1.3), uma firme esperança (Hb 6.19) e uma esperança purificadora (lJo3.3).232
A dinâmica da nova vida é a expectativa da vinda gloriosa
de Jesus Cristo. Quando se espera uma visita real, tudo se
limpa, se decora e se arranja para que o olho real o veja. O cristão é uma pessoa que está sempre pronta para receber o Rei dos reis.
A graça de Deus, o fundamento de uma vida santa
(Tt 2.11-15)

O APÓSTOLO Pa u l o , n e s s a e p ís t o l a a
Tito, faz uma inversão em sua costumeira metodologia. Nas cartas aos Romanos,
Gálatas, Efésios e Colossenses, ele ensina a doutrina e, depois, estabelec o dever. Em sua costumeira abordagem, primeiro dá o preceito, depois orienta a conduta; primeiro ensina a teologia, depois a ética. Erdm an tem razão ao dizer que o credo afeta a conduta, e esta não pode suster-se sem fé; a doutrina não é mais im portante que a conduta, mas a conduta está condicionada pela fé. Por essa razão Paulo fundam enta todas as exortações do capítulo em um
sumário do evangelho que, quanto à
beleza, profundidade e significado, é possivelmente insuperável.
Conforme o ensino de Paulo, a doutrina determina a ética, a teologia desemboca na conduta e a ortodoxia produz a ortopraxia. Nessa carta, porém, Paulo primeiro abordou o dever (2.1-10) e só depois ofereceu a sustentação doutrinária (2.11-15). Kelly corretamente diz que a partícula porquanto indica que Paulo está para declarar o fundamento teológico do conselho que acabou de dar.^°'

Não importa a ordem, o que é absolutamente indispensável é a estreita conexão que deve existir entre doutrina e vida, teologia e ética. Concordo com o comentário de John
Stott de que essas duas formas de abordagem são legítimas, desde que o elo indestrutível que existe
entre a doutrina e a ética seja colocado e m a n t i d o . S e n d o assim, destacamos três pontos a título de introdução. Em primeiro lugar, a vida pura é consequência direta da teologia pura. A decadência moral instalada nas igrejas contemporâneas denuncia a fragilidade da sua teologia. O nde a doutrina é ignorada, torcida ou adulterada, não pode haver santidade. A vida pura é resultado da doutrina pura. A teologia é mãe da ética. Assim como o homem crê, assim ele é. Em segundo lugar, a transformação nos relacionamentos é resultado direto da transformação da graça. Depois que Paulo falou dos relacionamentos transformados (2.1-10), deu a fundamentação teológica para essa transformação (2.11- 15). Paulo falou do padrão divino para os homens e as mulheres idosos; para as mulheres recém-casadas e para os jovens solteiros; para os líderes e para os servos. Contudo,
esperar relacionamentos transformados sem a graça de Deus é impossível. Primeiro o homem é transformado pela graça; SÓ depois ele experimenta relacionamentos transformados. Em terceiro lugar, a conexão entre doutrina e vida é absolutamente necessária para uma igreja saudável O espírito do pós-modernismo repudia a ideia de verdades absolutas. Prevalece o pluralismo das ideias e o individualismo na escolha das ideias que mais lhes atendam os interesses
imediatos.

Nesse contexto, falar em doutrina, teologia e conhecimento é remar contra a correnteza.
As pessoas desprezam o conhecimento e correm atrás de experiências subjetivas. Elas não querem pensar; querem sentir. O sensório tom ou o lugar do racional. Muitas igrejas abandonaram a sã doutrina e ainda pensam, equivocadamente, que podem viver de forma agradável a
Deus. Isso é um absoluto engano. O Espírito Santo nos guia na verdade, e não à parte dela. Existe uma estreita e inquebrantável conexão entre a doutrina bíblica e a vida que agrada a Deus. Os que
desprezam a doutrina acabam caindo na teia do relativismo moral. A impiedade sempre desemboca na perversão. Hans Burki sintetiza a passagem em tela, dizendo que ela exalta a graça de Deus manifesta no passado (2.11) e educa os discípulos de Jesus no presente (2.12), cuja revelação
plena é aguardada no futuro (2.13), e cujo alicerce e força são o amor do Redentor, o qual purifica seu povo e o leva a viver com zelo sagrado (2.14).^°^ Vamos examinar a fundamentação teológica para uma vida santa, buscando essa conexão entre doutrina e dever.

A manifestação da graça (2.11)

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (2.11). Só podemos ter uma
vida santa A graça de Deus, o fundamento de uma vida santa por causa da epifania, “manifestação” da graça de Deus. A graça de Deus sempre existiu. Deus sempre foi gracioso.
Porém, em Cristo, essa graça despontou majestosa da mesma forma que o romper da alva.
O substantivo epifaneia significa a visível aparição de alguma coisa ou de alguém que estava invisível. Essa palavra era usada no grego clássico em relação à alvorada, ao amanhecer, quando o sol transpõe a linha do horizonte e se torna visível.

É a mesma palavra que aparece em Atos 27.20, quando Lucas diz que por vários dias nem o sol nem as estrelas apareceram [fizeram epifania], E claro que as estrelas ainda estavam no céu, mas não apareceram. A graça de Deus brilhou como sol sobre aqueles que viviam nas regiões da sombra da morte. Essa graça se manifestou quando Jesus nasceu num a estrebaria, cresceu num a carpintaria e morreu numa cruz. Essa graça brilhou quando de seus lábios se ouviam palavras de vida eterna, quando ele curava os enfermos, purificava os leprosos, lançava fora os demônios e ressuscitava os mortos. A graça resplandeceu quando o Filho de
Deus entregou sua vida  na cruz e a reassumiu na gloriosa manhã da ressurreição. A graça se manifestou para resgatar o homem do seu maior mal e oferecer a ele o maior bem. Destacamos três aspectos da epifania da graça: Em primeiro lugar, a origem da graça (2.11). Paulo fala da graça de Deus. A graça tem sua origem em Deus. Ela emana de Deus. Embora Deus sempre tenha sido gracioso, pois é o Deus de toda a graça, ela se tornou visível em Jesus Cristo. A graça de Deus foi esplendorosamente mostrada em seu humilde nascimento, em suas graciosas palavras e em seus atos movidos de compaixão; mas, sobretudo, em sua morte expiatória.^“*^ T ito e Filemom - doutrina e vida um binôm io inseparável

A graça de Deus é totalmente imerecida. Não há nada em nós que reivindique o amor de Deus. Não há nenhum merecimento em nós. O amor de Deus tem nele mesmo sua causa. A graça é um favor imerecido. Deus trata de forma benevolente aqueles que merecem seu juízo. Em segundo lugar, a natureza da graça (2.11). A graça de Deus é salvadora. A graça é o favor superabundante de Deus pelos pecadores i n d i g n o s . K e l l y diz que a graça de Deus representa o favor gratuito de Deus, a bondade espontânea mediante a qual ele intervém para ajudar e livrar os h o m e n s . E m Jesus, a graça de Deus desponta como um sol sobre o m undo escurecido pelas sombras da morte. Gosto da definição de William Hendriksen: A graça de Deus é seu favor ativo que outorga o maior de todos os dons a quem merece o maior de todos os castigos.-'“ Por isso, a graça triunfa sobre nossa iniquidade. Ela é maior do que o nosso pecado e melhor do que a nossa vida. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. Somos salvos pela graça. Vivemos pela graça. Dependemos da graça. Nada somos sem a graça. Por causa da graça, embora perdidos, fomos achados; embora mortos, recebemos vida. Em terceiro lugar, a extensão da graça (2.11). A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens. A epifania da graça não alcança todos os homens
quantitativamente, mas todos os homens quaUtativamente. A salvação é universal no sentido de que alcança todos aqueles que sao comprados para Deus, procedentes de toda
tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9), mas não no sentido de
todos os homens, sem exceção. A salvação é universal porque

A graça de Deus, o fundamento de uma vida santa alcança todos os homens sem acepção, mas não a todos os homens sem exceção. Não há universalismo na salvação. O que a Bíblia ensina sobre a universalidade da graça de Deus é que ela rompe todas as barreiras, derruba todos os preconceitos e alcança pessoas de todos os gêneros, idades e posições (2.1-10). A graça é acessível a todos: homens e mulheres, idosos e jovens, escravos e senhores, judeus e gentios.^“ Nessa mesma linha de pensamento João Calvino afirma:
“A salvação é comum a todos”, e isso fica expressamente claro pelo fato de Paulo mencionar os escravos cristãos. Porém, Paulo não alude aos homens no individual, mas destaca classes individuais, ou seja, diferentes categorias de pessoas. Concluo esse ponto citando Albert Barnes; O plano de Deus tem sido revelado a todas as classes de homens e a todas as raças, inclusive servos e chefes; vassalos e reis; pobres e ricos; ignorantes e sábios.^'’

A Cruz de Cristo.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Posted by FrTutorial no Brasil
A Cruz de Cristo.

(Verso 17). O apóstolo em primeiro lugar confirma diante destes crentes a Cruz de
Cristo. Ele tinha sido enviado, não para batizar, mas para pregar as boas novas. A
pregação não foi com a sabedoria de palavras para que a Cruz de Cristo não fizesse
nenhum efeito. O Evangelho não pode ser anunciado por meras palavras; deve ser
anunciado pela Cruz. É um princípio profundamente importante compreender que Deus
nos comunica com Ele pelas Suas ações, e não simplesmente por descrições ou
afirmações Dele mesmo. A filosofia e a teologia procuram descrever Deus; mas a
descrição requer a sabedoria de palavras, e a sabedoria de palavras demanda o ser
humano aprenda a imaginar e entender as palavras. Deus é muito grande para ser
descrito por palavras, e somos muito pequenos para perceber meras descrições. Assim
Deus tomou outro caminho, na verdade o único caminho possível, para fazer a Ele
mesmo e as Suas boas novas conhecidas. Ele se fez conhecido pessoalmente e em ações.
Deus se tornou manifesto na carne na Pessoa de Cristo, e se fez conhecido em todas as
Suas atividades entre os homens. E essas atividades de graça e amor e santidade
culminam na Cruz de Cristo. A Cruz é a maior demonstração possível do amor de Deus
para com o pecador, do ódio de Deus contra o pecado, e da colocação de lado do
homem carnal. Sendo assim, o apóstolo recusa anunciar as boas novas por meras descrições, que
implicam a sabedoria de palavras, mas não confirma diante deles a Cruz de Cristo, que
deixa de lado o homem que os Coríntios estavam exaltando.

2. A pregação da Cruz

(Versos 18-25). Os filósofos preferem as suas dissertações eruditas; por isso, a
pregação da Cruz é para eles loucura para os que perecem. Os sábios deste mundo não
enxergam a glória da Pessoa que foi cravada na cruz, e por essa razão não vêem o amor
de Deus que deu a Si mesmo para sofrer, nem a santidade de Deus que demanda tal
sacrifício, nem a ruína completa do homem demonstrada na Cruz. Tudo o que vêem é
um Homem pregado a uma Cruz entre dois ladrões; por isso a pregação da salvação pela
Cruz parece para eles uma loucura completa. Aqueles que pensam assim são aqueles
que perecem. Para aqueles que são salvados a Cruz é o poder de Deus para salvar, pois
por meio dela Deus pode justamente salvar o mais vil pecador.

A sabedoria do mundo é assim exposta e reduzida a nada. O mundo teve muito
tempo para desenvolver a sua sabedoria, o resultado é que toda a sabedoria dos filósofos
se mostrou loucura, já que deixou o homem na ignorância completa de Deus. O fim de
toda a sabedoria do homem é que “o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria”.
Não foi que o mundo pela sua ignorância ou estupidez não conhecia a Deus, mas pela
sabedoria ele não conhecia a Deus. O resultado líquido de toda a sabedoria das eras – os
esforços combinados do intelecto mais aguçado do mundo – é para deixar o homem na
ignorância completa de Deus, e na ignorância completa de si mesmo. Quando o fracasso
completo da sabedoria do homem tinha sido demonstrado, então agradou a Deus pela
loucura da pregação salvar aqueles que crêem.

Mas a forma de Deus revelar a Si mesmo e abençoar o homem é igualmente
ofensivo para os judeus e para os gentios. Os judeus pediam “sinal”, alguma intervenção
miraculosa de Deus que apelasse para os sentidos; os gentios buscavam o raciocínio
filosófico que apelasse para a mente. Deus apela para a consciência e o coração através
de Cristo crucificado. Isso, contudo, era uma pedra de tropeço para os judeus e loucura
para aos gentios.

Os Judeus procuravam um Messias que reinasse no poder de um trono, Alguém
que reavivasse o reino, suprimisse os seus inimigos, e estabelecesse Israel como cabaça
das nações. Cristo reinando em um trono podiam entender; Cristo crucificado em uma
Cruz era uma ofensa para eles. Não tendo nenhum sentido para a necessidade deles
como pecadores, não podiam ver nenhum significado na Cruz. Para eles em sua
incredulidade ela se tornou pedra de tropeço.

Quanto aos gentios, que procuravam algo que apelasse para a razão – alguma
coisa nova, algum esquema da filosofia – dizer a eles que havia salvação através de um
Homem crucificado; vida através de um Homem morto; poder através de Alguém que
foi crucificado em fraqueza, era falar daquilo que na visão deles era uma loucura
completa. Sem embargo, para aqueles que são chamados, tanto judeus como gregos,
Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus. Nele os tais descobrem o poder de Deus
para salvar, e a sabedoria de Deus na realização de todos os Seus propósitos.
Para a mente do homem a pregação é “a loucura de Deus” e a Cruz “a fraqueza de
Deus”. Sendo assim, isso apenas provará que “a loucura de Deus é mais sábia do que os
homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”.

3. O chamamento de Deus

(Versos 26-29). O apóstolo colocou de lado a carne religiosa do judeu, e a carne
intelectual do gentio, apresentando a Cruz e a pregação da Cruz. Agora ele coloca de lado o orgulho da carne apresentando o chamamento de Deus. “Vede irmãos a vossa
vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem
muitos os nobres, que são chamados”. O louco, o débil, o vil, o desprezado, e as coisas
que não são, Deus escolheu para confundir o sábio e “aniquilar as que são”. Por isso
veio a acontecer que um mendigo cego confundiu os sábios fariseus, e simples
pescadores confundiram tão completamente os sábios regentes de Israel que foram
compelidos a dizer: “O que faremos?”
Deus assim usa “as coisas que não são, para aniquilar as que são”. Durante os dias
dos apóstolos as coisas pelas quais os homens procuravam se exaltar era o judaísmo e a
filosofia; e Deus usou homens simples para reduzir essas coisas a nada, para que
nenhuma carne pudesse se gloriar em Sua presença.
A carne deve se gloriar em alguma coisa, seja o nascimento as riquezas ou o
intelecto; mas na presença do Deus nem o crente nem o incrédulo podem gloriar-se
dessas coisas. Aliás, na presença uns dos outros podemos procurar nos exaltar pelo
nascimento, ou pelas riquezas, ou pela sabedoria, ou pelas realizações; mas na presença
de Cristo nos envergonhamos das mesmas coisas nas quais nos gloriamos diante uns dos
outros. Não ousamos mencioná-las em Sua presença, salvo para nos condenar por nos
gloriar nelas. Gloriar-se nelas mostra apenas quão pouco estamos em Sua presença.

A posição do crente em Cristo

(Versos 30, 31). Finalmente, o apóstolo coloca de lado a carne apresentando a
origem e a posição do crente. O crente é “de Deus”. Quão maior é ser “de Deus” do que
ser nobre de nascimento, poderoso, sábio, ou rico. Ainda mais, somos de Deus “em
Cristo Jesus”. Não apenas temos uma origem de Deus, mas somos colocados em uma
posição inteiramente nova perante Deus – estamos “em Cristo Jesus”. Não estamos
diante de Deus em condição e posição de Adão, distante de Deus e sob julgamento, mas
estamos em Cristo em toda a Sua apropriação de Deus e do céu.
Isso ainda não é tudo. Podemos ter apenas pouca sabedoria por nós mesmos; sem
embargo, Cristo é feito para nós sabedoria. Não precisamos nos voltar para a sabedoria
para a filosofia, para homens sábios, ou para a nossa própria sabedoria imaginativa, pois
temos a Cristo. Tendo Cristo vemos de uma vez o que toda a sabedoria do mundo nunca
pode nos ensinar. Cristo, na Cruz, expos completamente a nossa ruína e tornou Deus
conhecido em Seu amor. Cristo na glória expõe todos os propósitos de Deus. Em Cristo
vemos a sabedoria de Deus encontrando a nossa ruína e cumprindo o Seu propósito.
Além disso, Cristo é feito para nós justiça. Não temos nenhuma justiça de Deus. A
justiça de Deus é vista em nos justificar consistentemente com Ele mesmo pela morte de
Cristo. Se quisermos saber o que essa justiça é, e quão perfeitamente nos ajusta para a
glória, então não precisamos confiar no homem ou em nós mesmos, mas em Cristo. Ela
esta exposta em Cristo na glória.

Cristo também é feito para nós a santificação. Cristo é a medida, o padrão e o
poder para a santificação. Finalmente, Cristo é feito para nós a redenção, “a libertação
completa dos efeitos do pecado em nossos corpos”, pela qual esperamos. Já vemos essa
redenção exposta em Cristo; nós a temos agora em Cristo o nosso Cabeça; esperamos
para que ela seja manifestada em nós.
Tendo, então, tudo em Cristo, e nada no homem como tal, “aquele que se gloria,
glorie-se no Senhor”. Assim a Cruz, a pregação da Cruz, o chamamento de Deus, e a
nossa posição em Cristo perante Deus, excluem inteiramente a carne.

Ao escrever à igreja em Corinto, Paulo

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1 CORÍNTIOS 1

(Versos 1-3). Ao escrever à igreja em Corinto, Paulo o faz como um apóstolo, e tem cuidado em afirmar que recebeu a sua autoridade de apóstolo pelo chamamento de
Jesus Cristo pela vontade de Deus, e não conforme indicação de homem ou segundo a vontade do homem. Escrevendo como um apóstolo é bastante gracioso ao associar a ele um irmão. Se este irmão fosse o Sóstenes que, em dias passados, tinha sido o principal da sinagoga em Corinto, era bem conhecido deles (At 18:17). Ele se dirige à igreja de Deus em Corinto como aqueles que são “santificados em Cristo Jesus, chamados
santos”.

Ele assim vê os santos como colocados à parte para Cristo enquanto passam por
este mundo, e ao mesmo tempo chamados para fora deste mundo mau de hoje para
terem parte com Cristo acima, pois a nossa chamada é “celestial” e “do alto” (Hb 3:1;
Fp 3:14).

O apóstolo, enquanto se dirige à igreja em Corinto, conecta a eles “todos os que
em todo lugar invocam o Nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”.
Há um só Senhor de quem toda igreja local pode dizer, em referência a todas as outras,
Ele é tanto deles como nosso. Isso é da mais profunda importância em uma epístola que
trata com a conduta prática do cristão, e a manutenção de disciplina e ordem na igreja.
Isso claramente mostra que as instruções se aplicam a todos os cristãos professos para
sempre. Muitas vezes no decorrer da Epístola encontraremos passagens que refutam a
tentativa de limitar a instrução a uma igreja local e à idade apostólica. (ver 1 Co 4:17; 1
Co 7:17; 1 Co 11: 16; 1 Co 14:36, 37; 1 Co 16:1). O apóstolo terá de falar claramente
quanto à desordem nesta igreja, mas atrás de todas as suas palavras claras de
condenação o seu desejo sincero é que eles possam gozar das bênçãos da graça e da paz
de “Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.

(Versos 4-9). Embora ele tenha muito para corrigir nesta igreja devido ao seu
baixo estado, sem embargo agradecidamente reconhece a graça de Deus em relação a
eles, e a fidelidade de Deus para com eles. A graça de Deus tinha chegado a eles, como
a todos nós, em virtude de Jesus Cristo. Esta graça os tinha enriquecido com todas as
bênçãos espirituais em Cristo e tinha-lhes dado “toda a palavra” e “todo o
conhecimento” da doutrina. Houve um testemunho de Cristo no meio deles, confirmado
pelo conhecimento da verdade, que possuíram, e o fato de que não ficavam atrás em
nenhum dom e que esperavam pela revelação de nosso Senhor Jesus Cristo. Além disso,
a graça que os tinha abençoado tão ricamente os confirmaria até ao fim, para que, por
mais que o apóstolo tivesse de corrigi-los em sua condição dom, no dia do Senhor eles
seriam irrepreensíveis.

Ademais, por mais que os santos possam ser desleais, o apóstolo pode dar graças
porque “fiel é Deus”, por quem os crentes são “chamados para a comunhão do Seu
Filho Jesus Cristo o nosso Senhor”. Aqui, deve ser observado, que não é a comunhão
com o Seu Filho, mas a comunhão do Seu Filho, uma comunhão da qual Cristo, como
Senhor, é o vínculo, e que inclui todo aquele que invoca o Seu Nome. Essa é a
verdadeira comunhão cristã, e a única que a Escritura reconhece. Os cristãos podem
formar outras comunhões das quais o vínculo é a manutenção de alguma verdade
importante, ou a condução de alguma obra especial, mas tais comunhões são sectárias
em caráter e de necessidade muito distante da comunhão para a qual somos chamados, e
que tem o Senhor como o seu vínculo, a ceia do Senhor como a sua expressão mais
profunda, e o Espírito Santo como o seu poder dirigente (1 Co 10:16, 17;2 Co 13:14).

Uma geração pode passar e o outra surgir, mas o único Senhor (Ef 4:5) permanece, e
apesar da grande ruína e confusão na profissão cristã, a Sua vontade para a conduta dos
chamados para a comunhão da qual Ele é o vínculo, e para a disciplina e ordenação das
reuniões de Deus, permanece em toda a sua força como revelado nesta Epístola.
É perceptível que, enquanto agradece a Deus pela Sua graça, o apóstolo é incapaz
de exprimir qualquer aprovação da condição espiritual deles. Enquanto ele se deleita por
reconhecer a fidelidade de Deus, não pode dirigi-se a eles como “irmãos fiéis”, como o
faz escrevendo aos santos em Éfeso e Colossos (Ef 1:1; Cl 1:2). Infelizmente, ele tem
que reconhecer um pouco depois que, apesar de terem “todo o conhecimento” e não
faltar “nenhum dom”, eram “ainda carnais”, e não pode falar-lhes “como a espirituais”.
A carne pode se jactar no conhecimento e usar os dons para a própria exaltação, mas
fazemos bem nos lembrar que o mero conhecimento, e a possessão de todos os dons,
não evitarão a desordem ou assegurarão a espiritualidade se a carne não for julgada.
Tendo assim reconhecido o que era de Deus na igreja, o apóstolo começa a tratar
com as desordens prevalecentes no meio deles, as quais impediram o crescimento
espiritual e o testemunho de Cristo.

(Versos 10, 11). O primeiro grande mal tratado é o estado de divisão que existia
no meio deles. “Há”, escreve o apóstolo, “contenda entre vós”; e novamente em 1 Co
11:18, “ouço que há entre vós dissensões”. Ele abre este assunto com uma apelação para
a qual dá a importância mais grave invocando “o nome do nosso Senhor Jesus Cristo”.
Ele apenas lembra a igreja em Corinto, e nós, que “fomos chamados para a comunhão
do Seu Filho Jesus Cristo o nosso Senhor”. Este chamamento, que traz com ele muitos
privilégios, implica na responsabilidade de ser verdadeiro na comunhão em nosso
caminhar e em nossos caminhos. Para gozar dos nossos privilégios, e levar a cabo as
nossas responsabilidades, somos exortados a sermos perfeitamente unidos no mesmo
sentido e no mesmo parecer, para que não haja nenhuma divisão entre o povo de Deus,
ou brecha na comunhão.

(Verso 12). O apóstolo passa a expor a raiz da qual brotam as divisões. “Cada um
de vós diz: Eu sou de Paulo; e, eu de Apolo; e, eu de Cefas; e, eu de Cristo”. Por um
lado exaltavam os servos dotados do Senhor a uma posição falsa como os centros da
reunião, que é o princípio maligno do clericalismo; por outro lado estavam formados em
partidos em torno destes servos e assim começou o mal do sectarismo.
Pode-se perguntar, que tal os indivíduos que negaram todos os homens como
líderes, e disseram: “e, eu de Cristo”? Esses realmente eram piores do que outros, pois
eles tentavam fazer Cristo o líder de um partido e ignoravam os dons que Cristo tinha
dado. Era a suposição de espiritualidade superior que professava ser capaz de prescindir
do ministério de outros, e a pretensão de se apropriarem de Cristo exclusivamente para
eles mesmos.
O mal aqui é o oposto daquele sobre o qual o apóstolo fala em Atos 20:30. Lá ele
avisou os anciãos de Éfeso que os problemas se levantariam dentre os líderes; aqui ele
afirma que se levanta dentre os discípulos. Lá ele fala do que ocorreria depois da sua
morte, aqui do que estava tendo lugar no tempo da sua vida. Um mal leva a outro. O
mal que começa com a formação de partidos cristãos em torno de líderes termina com
os líderes ensinando coisas perversas. Este princípio solene, que se mostrou em Corinto,
esteve operando por toda a história da igreja com resultados desastrosos parecidos.

O povo se arranjou em torno de professores favoritos, e os líderes, permitindo serem
colocados nessa posição falsa, finalmente ensinaram coisas perversas e trouxeram a
divisão dentre o povo de Deus por atraírem discípulos após si mesmos.
(Versos 13-16). O apóstolo condena o sectarismo deles perguntando: “Está Cristo
dividido?”. Fomos chamados para uma comunhão da qual Cristo é o vínculo. Podemos,
infelizmente, formar outras comunhões com algum outro vínculo, mas não podemos
dividir Cristo. Então ele condena o clericalismo deles perguntando: “Foi Paulo
crucificado por vós?”. Paulo recusou ser exaltado a uma posição falsa como um centro
da reunião do povo de Deus. O único centro verdadeiro da reunião do povo de Deus é
Aquele que provou a Sua reivindicação sobre eles sendo crucificado por eles. Paulo, por
mais que amasse o povo de Deus, não tinham sido crucificados por eles. Ele não
usurparia o lugar nos afetos do povo de Deus que pertencem apenas ao Crucificado. Seu
único objetivo, como o de todo servo verdadeiro, era, como ele diz, desposá-los a um
marido para que pudesse apresentá-los como uma virgem pura para Cristo (2 Co 11:2).
Nem Paulo tinha se feito um centro da reunião batizando no nome de Paulo. Na verdade
tinha batizado apenas a Crispo e a Gaio, e também a família de Estéfanas; quanto ao
resto desses santos coríntios, tinha se abstido de batizá-los para que alguém não dissesse
que batizava no seu próprio nome e por isso procurava formar um partido em torno dele
mesmo. Em assim exaltando os seus professores favoritos, e buscando ganharem
distinção para si mesmo por segui-los, gloriavam-se em homens e não no Senhor, nos
dons e não no Doador.

Para enfrentar estes males o apóstolo insiste em duas grandes verdades: primeira,
a Cruz de Cristo, o grande tema do resto deste capítulo; segunda, a presença e poder do
Espírito Santo, o grande tema do segundo capítulo. Ele terá muito para corrigir
detalhadamente quanto à conduta deles, mas antes de assim fazê-lo procura estabelecêlos
nas grandes verdades que excluem inteiramente a carne, a tolerância na qual está a
raiz de toda a desordem na igreja de Deus. A Cruz trata com a carne no julgamento
perante Deus. A presença do Espírito Santo é intolerante para a carne na igreja de Deus
na terra. É uma consideração solene para nós tudo isso, sempre que permitamos à carne
manifestar-se na igreja de Deus, praticamente negamos a obra da Cruz, e ignoramos a
presença do Espírito Santo.

Primeiro, o apóstolo fala da Cruz de Cristo no Verso 17. Em conexão a isso temos
a pregação da Cruz nos versos 18-25, o chamamento de Deus nos versos 26-29, e,
finalmente, a posição na qual o chamamento de Deus nos traz nos versos 30 e 31. Cada
uma dessas verdades exclui inteiramente a carne e leva à conclusão de que: “Aquele que
se gloria glorie-se no Senhor”.

Derrubando Gigantes

quarta-feira, 6 de setembro de 2017
Posted by FrTutorial no Brasil
DIA - DERRUBAR OS GIGANTES DA CORRUPÇÃO
TEXTO BASE:

Ap 2:12-17 - “Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Tenho, todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição. Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. Portanto, arrepende-te; e, se não, venho a ti sem demora e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe darei uma pedrinha branca, e sobre essa pedrinha escrito um nome novo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe”

A) INTRODUÇÃO
A igreja de Pérgamo ficava bem perto do mar. Era uma cidade rica e a palavra de Deus diz que ali estava o próprio trono de Satanás, mas que Deus conhecia o coração deles, que eles não o negariam, eles seriam fiéis e até morreriam pela sua fé.
A vida deles, porém estava em muito diminuída, a sua fé bastante subtraída, e por quê? - Não porque eles não tivessem certeza do amor de Deus e não fossem do Senhor declaradamente mais porque eles se deixaram corromper pela doutrina de Balaão;
Em que consistia a doutrina de Balaão?
Quando os filhos de Israel estavam passando ali pela terra do rei Baraque (Moabe), Balaão era um profeta de Deus e aquele rei sabia disso e que ele falava em nome de Deus, ele sabia que tudo que saia da boca daquele homem de Deus se cumpriria, por isso ele resolveu comprar aquele profeta por uma quantia de dinheiro afim de que ele profetizasse contra Israel. Balaão por sua vez, tentou bastante, porém nos instantes em que ele pretendia abrir sua boca para falar contra Israel, sua palavra
era mudada e ele profetizava a bênção - Números 23:19-23 - “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá? Eis que para abençoar recebi ordem; ele abençoou, não o posso revogar. Não viu iniqüidade em Jacó, nem contemplou desventura em Israel; o SENHOR, seu Deus, está com ele, no meio dele se ouvem aclamações ao seu Rei. Deus os tirou do Egito; as forças deles são como as do boi selvagem. Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel; agora, se poderá dizer de Jacó e de Israel: Que coisas tem feito Deus!”
Cada vez que Balaão abria a boca para profetizar contra Israel, de sua boca saia benção, a tal ponto que o rei começou a ficar revoltado com a situação
Balaão ainda tentou, e disse: “vamos tentar , faça sete altares aqui, vamos fazer um sacrifício maior”, porém, cada vez que ele abria a boca, novamente profetizava benção. Finalmente ele chegou à conclusão: “só tem um jeito mande as mulheres mais bonitas...”
Muitas pessoas caem no erro, não porque não amem à Deus, elas amam ao Senhor, porém, por terem sido envolvidas por forças malignas, deixaram seus corações se corrompessem assim como aconteceu com Salomão, o qual permitiu que o seu coração se corrompesse e assim, trouxesse maldição para sua casa - a partir daí, veio a angustia para sua casa e parou a obra de Deus na sua vida.
A corrupção pára o mover profético de Deus em nossas vidas, é exatamente isso que faz esse espirito de Balaão traz uma estagnação maligna por que você deu o seu coração para outras coisa
Como é que isso acontece?
Da forma que aconteceu com o povo de Israel: encontraram as mulheres, foram atraídos por elas, por suas danças, começaram inclusive, por brincadeira entrar em seus templos fazer oferecimentos e houve uma praga e uma morte muito grande dentro do arraial.
Muitas vezes temos estado na igreja ouvindo a Palavra de Deus, porém o mover profético já não está mais dentro de nós - é como entrar na igreja e sair vazio - aqui é o lugar para que você sinta a presença de Deus, aqui é maravilhoso, aqui você sente inclusive aquilo que o Senhor está fazendo, você pode perceber que é um lugar Santo, porém, as parece que você sai daqui e vai para sua casa e nada aconteceu com você
Existem áreas em sua vida que estão sendo possuídas por essa situação maligna?
Seu coração está dividido?
Seu coração já não é mais inteiro do Senhor?
Você o ama não nega, até o fim não negaria, porém sente que o seu coração não é mais inteiro do
Senhor?
Parou o mover de Deus?
Pararam de acontecer milagres em sua vida?
Você parou de viver experiências?
Parou o mover?
Você não fala mais em línguas?
Não tem mais sede de estudar a Palavra de Deus?
Você não tem mais o desejo de louvar ao Senhor?
Você vem a igreja cumpre as suas obrigações, você faz as suas coisas, porém não sente mais o agitar do poder do Espirito Santo na sua vida?
Por quê?

Porque o espirito de Balaão o corrompeu.

B) DENUNCIANDO O GIGANTE DA CORRUPÇÃO
I Jo 2:15-16 - “Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.”
O que é o mundo? É a sociedade que nos rodeia e nos aprisiona, nos levando a pensar da maneira que ela pensa, e a agir como eles agem, “O que você tá com tantos anos, você vai morrer solteiro - saia atrás!” “Ah! Então pega o teu dinheiro e dá todo na igreja?!” - a mesma boca que te acusa de fazer isso, também te acusa de você não tomar uma cervejinha, de você não ir ao motel, de você não se prostituir, de você ser fiel quer pegar o seu dinheiro e prostituir-se e jogar, e por na sena e a apostar, não tem problema, mas investir a sua força no Senhor, confiar mais, entregar ao Senhor aquilo que é dele, isso incomoda, encher a cara não!
Os conselhos: “Ah eu estou mal hoje eu to com vontade de encher a cara” não vai faltar gente pra tomar junto com você até cair. Agora você fala hoje eu estou mal, eu preciso ir para igreja não sobra um, você já notou isso?
Se eu estiver mal, ansioso, precisando ir à Casa do Senhor e receber uma palavra, já vem o comentário: “Ih, se tá mal mesmo hein, virou crente”
O mundo pressiona, olha o estado que você está, porém a própria pessoa que fala isso não esta vendo sua própria cara, e o duro é que a gente acredita que merecia ouvir isso!

1º TIPO DE CORRUPÇÃO - CORRUPÇÃO PELA CONCUPISCÊNCIA DOS OLHOS
Mt 6: 22-23 - “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, caso a luz que em ti há sejam trevas, que grandes trevas serão!”
E você olha a tua situação o mundo pressiona, assim como pressionou Eva, mostrando coisas agradáveis aos nossos olhos, boas para dar entendimento, boas para alimentar, boas para serem trazidas para casa, boas para dar prazer, e é tão impressionante que Satanás vai entrando assim e corrompendo pela concupiscência dos olhos, porque Eva primeiro viu - a árvore era boa e agradável para comer, dá prazer! E ainda trazer lucro. Essa é a concupiscência dos olhos, e hoje em dia nós estamos vendo pessoas que estão cativas de toda a sorte de prazer, pessoas que são presas do sexo, loucos, desesperados. Tudo quanto é coisa porque precisa daquela excitação e daquele prazer que cada vez vai ficando menor.

2º TIPO DE CORRUPÇÃO - CORRUPÇÃO PELA CONCUPISCÊNCIA DA CARNE
Gl 5: 19-21 - “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”
Existem pessoas que são compulsivas obsessivas e têm obsessão por comida - ele come, e come, e come destemperadamente, compulsivamente e não para de comer, porque é um prazer comer é gostoso, é bom.
O inimigo tem feito, daquilo que deveria ser alguma coisa boa, prazerosa, para alimentar, ter um momento de comunhão na mesa com a família, transformar-se em prisão! - Prisão no vídeo game, prisão na Internet, prisão no lazer, começa fazer academia - daqui a pouco fica doido e desesperado, e diz que vai ficar mais musculoso, mais machão!

3º TIPO DE CORRUPÇÃO - CORRUPÇÃO PELA SOBERBA DA VIDA
Lucas 8:14 - “A que caiu entre espinhos são os que ouviram e, no decorrer dos dias, foram sufocados com os cuidados, riquezas e deleites da vida; os seus frutos não chegam a amadurecer”
As pessoas vão ficando loucas, presas pelo prazer, pessoas buscando prazer, prazer, prazer e cada vez mais presas. O trabalho, por exemplo: é uma coisa maravilhosa incrível, porém as vezes, você acaba não tendo tempo para Deus, você acaba não tendo tempo para mais nada, e por quê? Porque você precisa trabalhar, trabalhar e ainda acha bonito falar que fulano de tal trabalha 40 anos sem ter férias - é loucura!
É benção de Deus que o homem trabalhe e desfrute do fruto do seu trabalho, porém trabalhar como louco desesperado para quê? Nem Deus trabalhou desse jeito, vai querer ser mais que Deus?! Você acha que é na força do teu braço?! Não se dá o direito de desfrutar das férias porque é cativo!
É assim que o espírito de Balaão corrompe: “Eu amo a Deus, eu dou meu dizimo, eu dou minha oferta, eu oro...! Mas você perdeu a sua alegria de viver porque você e escravo!

C) COMO VENCER O GIGANTE DA CORRUPÇÃO?
Js 3:4-5 - “Contudo haja a distância de cerca de dois mil côvados entre vós e ela. Não vos chegueis a
ela, para que conheçais o caminho pelo qual haveis de ir; visto que por tal caminho nunca passastes antes.”

ATITUDE VOLUNTÁRIA: O ALTAR PRECISA SER RESTAURADO
Existe apenas um lugar que muda a nossa história: é o altar de Deus! Existe um só Salvador e tudo que é desequilibrado não vem de Deus, tudo que tira, que nos rouba da presença do Senhor não vem de Deus, tudo que é contra a palavra de Deus ainda que todos estejam praticando é cilada para a tua vida - pode até ser bom, pode ser agradável, pode trazer lucro mais vai parar o mover profético dentro de você e aí você vai parar de sentir vontade de ler a Palavra, ainda que você venha à igreja, mas não vai acontecer nada real dentro de você.
Você pode ser intercessor, presbítero, diácono e até pastor, se você estiver com o seu coração dividido, não vê a hora de acabar o culto para ir dormir (às 3 horas da madrugada)
Alguma coisa vai mal! Alguma coisa não está bem! O altar precisa ser consertado porque “Deus quer fazer maravilhas no meio de nós”

D) CONCLUSÃO E CHAMAMENTO:
Is 53: 8-12 - “Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido. Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca. Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos. Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu”



A prisão de Paulo em Roma

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A prisão de Paulo em Roma

Roma era chamada de “Cidade rainha da terra”. O Grande centro de interesse histórico. Durante dois milênios (2.º séculos a.C. ao 18.º d.C.) foi a potência dominadora do mundo. É ainda chamada “Cidade Eterna”. A população, na época de Paulo, era de 1 milhão e meio de seres humanos, metade de escravos. Capital de um império que se estendia 4.800 km de leste a oeste, 3.200 km de norte a sul. A população total do Império era de 120 milhões de almas. Por apelar a César, o Apóstolo aos gentios teve que ir para Roma.

a) A viagem de Paulo a Roma (At 27:1-28:15)
Essa viagem começou no outono de 61 d.C. e terminou na primavera de 62 d.C.
Foi feita em três navios: Um de Cesaréia a Mirra; outro de Mirra a Malta; o terceiro de Malta a Potéoli.
“O jejum”, v. 9, foi dia da expiação, mais ou menos no meado de setembro. Daquele tempo ao meado de novembro a navegação no Mediterrâneo era perigosa. Do meado de novembro ao primeiro de março esteve suspensa.

Pouco depois de ter deixado Mirra, caíram em ventos contrários, e depois de se abrigarem um pouco em Bons Portos, se arriscaram outra vez, e foram acometidos por um tufão que os levou longe da sua rota; depois de muitos dias, não havendo mais esperança, Deus, que dois anos antes, em Jerusalém, prometera a Paulo que o levaria a Roma, 23:11, mais uma vez aparece a Paulo para lhe assegurar que Sua promessa seria cumprida, 27:24. E foi. (H.H. Halley).
Paulo foi levado a Roma com mais uns presos. Foi confiado a um centurião e alguns soldados da corte imperial. Aristarco e Lucas o acompanharam. Embarcaram, navegaram ao longo da costa de Creta, de onde uma tempestade veemente de vários dias os levou para a costa de Malta. O navio encalhou num escolho e os náufragos passaram o inverno na ilha. Depois navegaram via Sicília até Potéoli, onde P. e seus companheiros durante oito dias foram hóspedes da comunidade cristã. Pela Via Ápia chegaram a Roma (Dicionário).

b) Paulo em Roma
A primeira coisa que Paulo fez ao chegar a Roma foi convocar os líderes judeus para poder justificar-
se das acusações contra ele, e para obter uma audiência amigável. É este o último registro de sua tentativa da ganhar os judeus. Observemos
22
UBERABA – MG – Filemom Escola Superior de Teologia
Atos dos Apóstolos
Pr. Mateus Duarte
o resultado da sua pregação (28:24-28; compare com Mateus 13:13-15; João 12:40; Mateus 21:43).
Paulo passou dois anos ali, no mínimo, 28:30. Apesar de ser prisioneiro, tinha licença de morar numa casa própria alugada, com seu guarda, 28:16. Tinha licença de receber visitas, e de ensinar sobre Cristo. Já havia um bom número de cristãos ali (ver as saudações que enviou três anos antes, Rm 16). Os dois anos que Paulo passou ali foram muito frutíferos, atingindo o próprio Palácio, Fp 1:13; 4:22. Enquanto estava em Roma, escreveu as Epístolas aos Efésios, Filipenses, Colossenses, Filemom e possivelmente, Hebreus.

c) O consolo de Paulo em Roma
Em Roma P. obteve licença de, embora guardado sempre por um soldado, morar em casa própria, junto com os companheiros de viagem, e podia receber livremente qualquer pessoa (Cl 4,10). Logo apareceram diversos de seus colaboradores, bem como representantes da maioria das comunidades cristãs: Timóteo (Cl 1,1), Marcos (4,10), Epafras de Colossos (1,6s), Tíquico da Ásia Menos (provavelmente Éfeso; 4,7) Demas Justo (Cl 4,11), Lucas (4,14), Marcos (Fm 24), Onésimo (Fm; Cl 4,9). Dois deles, Aristarco e Épafras (At 27,1; Cl 4,10; Fm 23), compartilharam voluntariamente sua prisão. P. aproveitou-se de sua relativa liberdade para pregar o evangelho: primeiro, novamente, aos judeus (At 28,17-28), mas também aos soldados que o guardavam e a outros romanos (Fp. 1,12s). Em Roma P. escreveu as chamadas “Epístolas do cativeiro” (Ef, Cl, Flp, Fm). Nas duas últimas transparece a sua esperança de ser libertado em breve (Fm 22; Flp 1,26; 2,24). At 28,30 parece sugerir a mesma coisa, pois Lucas, embora comunique que P. morou dois anos naquela casa, não diz nada sobre o resultado do processo.

d) Especulações sobre os últimos dias de Paulo
Os últimos anos de Paulo só conhecemos (fazendo-se abstração das informações de Clemente romano) por uma combinação de dados avulsos das epístolas pastorais. Alguns opinam que o apóstolo foi executado durante a perseguição de Nero, em 64.
Conforme os outros Paulo teria visitado a Espanha (Rm 15,24.28) e ainda teria trabalhado em Creta (Ti 1,5), Éfeso (1Tim 1,3), de onde visitou talvez Colossos (Fm 22), Hierápolis, Laodicéia e Mileto (2
Tim4,20), e na Macedônia. Em Nicópolis, no Epiro (Tt 3,12), teria escrito Ti e 1Tim.
Alguns pensam que P. penetrou até na Ilíria (2Tim 4,10), voltando depois por Tróade (2 Tim 4,13) para Éfeso (1 Tim 3,14). Em todo caso, 2 Tim supõe que P. foi preso novamente, e está em Roma (2 Tim 1,8. 16s; 2,9), onde só Lucas ficou com ele (4,10s).
Paulo queixa-se de que na sua primeira defesa os cristãos da Ásia Menor o abandonaram (1,15). Não há nenhum indício de contato com o apóstolo Pedro. Paulo menciona, entretanto, o apoio de alguns discípulos fiéis: Onésimo, Tito, Crescente,
23

Tíquico, que havia mandado respectivamente à Dalmácia, à Galácia (ou à Gália?) e a Éfeso (4,10.12), e prepara-se para o martírio (4,7s).
e) A execução de Paulo
Deduz-se da tradição e de algumas referências, que Paulo foi posto em liberdade por mais ou menos 2 anos (veja Filipenses 1:24-26;2:24; Filemom 24; 2 Timóteo 4:17). Nesse período de liberdade provavelmente escreveu as epístolas a Timóteo e a Tito.
Acredita-se que depois desses dois anos, Paulo foi novamente preso e finalmente executado durante a perseguição que Nero promoveu contra os cristãos.
Diz-se a tradição que, como resultado de haver apelado para César, após dois julgamentos no ano 68 d.C., Paulo foi executado, fora da cidade.
Relata-se que Nero saiu de viagem enquanto Paulo estava em Roma. Entretanto, uma de suas concubinas foi ganha para o Senhor por intermédio do apóstolo. Quando Nero voltou para casa, ela havia juntado a um grupo cristão, abandonando o imperador. Nero ficou tão furioso que descarregou sua ira sobre Paulo, que foi levado para a Via Óstia onde o executaram.

As Prisões do Apóstolo Paulo

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As prisões do apóstolo paulo

5. O Resumo dos últimos capítulos de “Atos dos Apóstolos”
 Visita final de Paulo à Macedônia e à Acaia, 20:1-4.
 Paulo vai a Jerusalém, 20:1-6. De Filipos a Mileto, 20:5-16. Defesa de Paulo ante os anciãos de Éfeso, 20:17-38. De Mileto ante a Cesaréia, 27:1-14. Paulo com a igreja em Jerusalém, 21:15-26.
 Paulo, prisioneiro em Roma, 21:27-28:31.
a. Detenção e defesa, 21:27-22:29.
b. Perante o sinédrio, 22:30-23:11.
c. Transferência para Cesaréia, 23:12-35.
d. Em Cesaréia, 24:1-26:32. Paulo e Félix, 24:1-27. Paulo e Festo, 25:1-27. Defesa de Paulo perante Agripa, 26:1-32.
e. Viagem a Roma, 27:1-28:16.
f. Paulo em Roma, 28:17-31.

6. A Prisão de Paulo em Jerusalém (Atos 21, 22 e 23)
a) O objetivo da viagem a Jerusalém (21:1-16)
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Entregar a oferta proveniente das igrejas gentílicas para os crentes pobres de Jerusalém. Foi uma

grande oferta. Paulo levou um ano a arrecadá-la, 2 Co 8:10. Todavia, foi avisado muitas vezes, ao passar pelas cidades da Ásia, que essa viagem resultaria em prisão, 20:23. Em Tiro, 21:4, e em Cesaréia, 21:11, o aviso foi repetido com ênfase especial. De cada vez é o Espírito quem adverte. Até
Lucas fez coro na rogativa, 21:12; Mas estava arraigado, definitivamente, no espírito de Paulo que
aquela era a vontade de Deus, mesmo que significasse sua morte, 13:14. Por que esses avisos da parte de Deus? Podia dar-se o caso de Paulo estar enganado e de Deus estar procurando fazê-lo ciente disso? Ou seria que Deus o estava provando? Ou o preparando? De qualquer modo, Paulo estava determinado a fazer a viagem. Uma coisa é que ele a prometera anos antes, Gl 2:10. Considerava aquilo o meio mais prático de demonstrar a unidade da igreja. Levara sua vida a ensinar aos gentios de que podiam ser cristãos sem se tornarem prosélitos dos judeus, razão por que muitos dos seus irmãos judeus o odiavam rancorosamente. Agora, desejava coroar esse trabalho com uma demonstração genuína e proveitosa de fraternidade cristã da parte dos seus convertidos gentios, como último e duradouro sinal de amor fraternal entre judeus e gentios. Vista sob este aspecto, esta visita de Paulo a Jerusalém é um dos eventos históricos mais importantes do N.T. Possivelmente, também, ele nunca podia esquecer a agonia dos crentes judeus, homens e mulheres, quando os lançava em prisão, anos antes, At 8:3, e estava há muito tempo resolvido, tanto quanto estivesse em suas forças, a compensar a Igreja Judaica pelos sofrimentos pelos quais a fizera passar.
b) Paulo em Jerusalém

Chegou ali mais ou menos em junho, 59 d.C., 20:16. Foi a quinta visita que se registra, depois da sua conversão. No decurso deste período, tinha ganho vastas multidões de gentios para a fé cristã, e por causa disto era odiado pelos judeus descrentes.
Depois de ter passado quase uma semana em Jerusalém, cumprindo seus votos no Templo, certos judeus o reconheceram. Começaram a gritar, e dentro de um instante, a turba estava por cima de Paulo como uma matilha de cães. Os soldados romanos apareceram em cena em tempo para salvá-lo de ser morto às pancadas.
Na escada do castelo romano, o mesmo onde Pilatos condenara Jesus à morte 28 anos antes dele, Paulo, com permissão do comandante, fez um discurso à turba, contanto como Cristo lhe aparecera no caminho para Damasco. Escutaram até que mencionou a palavra “gentios”, e então a turba se enfureceu contra ele.

No dia seguinte, os oficiais romanos trouxeram Paulo perante o Sinédrio, para descobrir o que os judeus tinham contra ele. Foi o mesmo concílio que entregou Cristo para ser crucificado; o mesmo Concílio do qual Paulo fora membro; o mesmo Concílio que apedrejara Estêvão, e que repetidos esforços fizera para esmagar a Igreja. Paulo correu perigo de ser espedaçado ali, e os soldados o retiraram dali, levando-o de volta ao castelo.
Na noite seguinte, lá no castelo, o Senhor Se revelou a Paulo, assegurando-lhe que protegeria seu caminho até Roma, 1:13. Em Éfeso, foi combinado que Paulo iria a
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Roma depois desta visita a Jerusalém, 19:21, mas depois, Paulo nem teria certeza de sair vivo de Jerusalém, Rm 15:31,32. Mas agora, Paulo estava com absoluta certeza, pois o próprio Deus prometera que faria a viagem.
No dia seguinte, os judeus enredaram outra cilada contra Paulo. Fervia a fúria popular. Tornou-se necessário preparar uma escolha excepcional, de 70 cavaleiros, 200 soldados, e 200 lanceiros para tirar Paulo de Jerusalém, e mesmo assim, na escuridão da noite.

7. A Prisão de Paulo em Cesaréia (Atos 24, 25 e 26)
Essa prisão ocorreu no verão de 59 ao outono de 61 d.C.
Cesaréia fora o lugar onde 20 anos antes Pedro recebera na igreja o primeiro gentio, Cornélio, oficial do exército romano. Possivelmente, foi esta a razão pela qual Félix conhecia alguma coisa a respeito do “caminho”, 24:22.

Lucas esteve com Paulo em Cesaréia. Pensa-se que foi por esse tempo que ele escreveu seu Evangelho. Esta é a única visita de Lucas a Jerusalém de que se tem notícia. Sem dúvida, aproveitou oportunidades de visitar Jerusalém muitas vezes, talvez também a Galiléia, para conversar com todos os apóstolos e primeiros companheiros de Jesus que pôde encontrar. Maria, mãe de Jesus, podia ainda estar viva, de cujos lábios ele pode ter ouvido, diretamente, a história com que inicia o seu Evangelho.

Israel moderno, cônscio da sua história como nação, toma grande cuidado dos monumentos históricos antigos, e há alguns anos Cesaréia recebeu a atenção dos arqueólogos. As obras do porto antigo têm sido examinadas por escafandristas, que obtiveram informações interessantes. O teatro está sendo escavado, e um achado surpreendente tem sido uma inscrição fragmentária com o nome de Pôncio Pilatos. A cidade era seu quartel-general como Procurador romano, e cenário de um debate famoso entre ele e uma deputação de judeus de Jerusalém. Obstinado e arrogante, Pilatos tinha pendurado escudos votivos no palácio de Herodes, consagrado ao Imperador. Os judeus, enviando representantes ao Imperador Tibério, venceram na sua objeção contra símbolos pagãos na Cidade Santa, e Pilatos tinha que levar ao santuário de Roma, em Cesaréia, estes símbolos de sua lealdade desajeitada ao Império.

a) Paulo perante Félix, 24:1-27. As acusações, v. 5: era “uma peste”, acusação muito vaga; “promotor de sedições entre os judeus”, absolutamente falso, porque Paulo invariavelmente ensinava obediência ao governo; “tentara profanar o templo”, v. 6, levando lá Trófimo, 21:29, o que não fez; “principal agitador dos nazarenos”, o que ele reconheceu e que não era contra nenhuma lei, judaica ou romana. Paulo nunca deixou de mencionar a ressurreição, v. 15.
Félix casara-se com uma judia, estava familiarizado com as praxes judaicas e conhecia algo a respeito de Cristo. Estava profundamente impressionado e mandou chamar Paulo para que lhe explicasse mais o Evangelho, com o que ficou aterrorizado. Sua cupidez, porém, v. 26, impediu que ele aceitasse Cristo ou soltasse Paulo.
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Festo foi nomeado sucessor de Félix em 60 d.C. Foi no intervalo entre a partida de Félix e a chegada de Festo que as autoridades de Jerusalém se aproveitaram da ausência de um oficial romano do executivo e assassinaram Tiago, irmão de Jesus.
b) Paulo perante Festo, 25:1-12. Os judeus ainda armavam emboscada a Paulo, v. 3, porque parece que tinham pouca esperança de convencer um governador romano de ter Paulo feito alguma coisa digna de morte. Sendo acusado perante Festo e vendo que este se propunha a agradar aos judeus, e que não havia esperança de que lhe fizessem justiça. Paulo anunciou, ousadamente, a Festo, que estava pronto a morrer se merecesse a morte, e apelou para César o que como cidadão romano tinha o direito de fazer. Diante disto, Festo nada pôde fazer senão anuir à apelação. Naquele tempo o César era Nero, bruto e desumano. Paulo, porém, sabia que, se deixasse o seu caso com Festo, seria devolvido ao sinédrio judaico, o que significaria condenação certa. Sendo assim, escolheu Nero. Além disso, queria ir a Roma.

c) Paulo perante Agripa, 25:13-26:32. O discurso de Paulo perante Agripa e o outro em Atenas são, geralmente, considerados dois dos mais soberbos exemplos de oratória da literatura. São ambos muito breves, simples resumo do que ele deve ter dito, porque é dificilmente crível que, num e noutro caso, ele falasse menos de uma hora.

Esse Agripa era Herodes Agripa II, filho de Herodes Agripa I, que, 16 anos antes, matara Tiago, o irmão de João, 12:2; era neto de Herodes Antipas que matara João Batista e escarnecera Jesus, e bisneto de Herodes, o Grande, que trucidara os meninos de Belém, ao tempo de nascimento de Cristo. Sua capital era Cesaréia de Filipe, próxima do cenário da transfiguração de Jesus, 30 anos antes.
Berenice era sua irmã, vivendo com ele como esposa. Fora casada com dois reis, voltara para ser esposa do próprio irmãos, e mais tarde veio a ser amante de Vespasiano e Tito. Imagine-se Paulo a defender-se diante de um par de pessoas desse quilate.
Agripa, cuja família estivera tão intimamente relacionada com toda a história de Cristo, naturalmente estava curioso por ouvir um homem do calibre de Paulo, que tanta excitação causara entre as nações a respeito de uma Pessoa que sua própria família houvera condenado.
A única discordância que Festo pôde ver entre Paulo e seus acusadores era que aquele pensava ainda estar vivo Jesus, ao passo que os acusadores O julgavam morto, 25:19.
A grande pompa, v. 23, que Festo arranjou para a ocasião era testemunho da personalidade dominante de Paulo, porque certamente um preso comum não provocaria tal exibição de esplendor real.
Notar a cortesia uniforme de Paulo, do princípio ao fim, se bem que conhecesse o caráter dissoluto do rei.
Notar, outrossim, que ele reconheceu ser a ressurreição de Jesus a única causa da questão. (H. H. Halley).
d) Previdência Divina. A história revela que a maldade humana é controlada pela soberania divina. Os judeus desejavam que Paulo fosse transferido de Cesaréia para
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Jerusalém. Tivesse Festo atendido às exigências deles, talvez o Novo Testamento não contasse com Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. (Sanders). Além disso, estava a salvo de todos os judeus.
Chegou a ser manifesto a todos (Filipenses 1:12, 13). Teve oportunidade para testificar aos soldados que o guardavam. Foi visitado por amigos das diferentes igrejas (Filipenses 2:25; 4:10).

A segunda viagem missionária

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A segunda viagem missionária

a) Resumo e itinerário
Segunda viagem missionária: Paulo vai à Europa, 16:1-18:17: Galácia e A. Menor, 16:1-10. Timóteo e Paulo, 16:1-5 Missão a Trôade, 16:6-10. Trabalho na Macedônia, 16:11-17:15. Em Filipos, 16:11-50. Em Tessalônica, 17:1-9. Em Beréia, 17:10-15. Na Acaia, 17:16-18:17. Esta última fase inclui Atenas e Corinto.


b) A missão da segunda viagem

Segunda viagem (49-52; At 15,36-18,22). P. não demorou muito em Antioquia, mas visitou com Silas as comunidades cristãs da Síria, da Cilicia, de Derbe, Listra e Antioquia da Pisídia. Em Listra conheceu Timóteo, que se tornou um dos colaboradores mais fiéis do apóstolo (15,35-16,5). Daí surgiu com Silas para a Frígia, a terra dos gálatas, onde foi detido por uma doença e recebido “como um anjo de Deus”, como o próprio Cristo (Gl 4,13-15).
Depois de atravessar a Míssil chegou em Tróade (16,6-8), onde se encontrou com um médico, Lucas, que se juntou à sua companhia. No mesmo lugar teve a visão noturna do Macedônia, clamando por socorro. Seguiu imediatamente para a Macedônia e via Neápolis para Filipos, onde foi fundada uma comunidade muito florescente, composta quase exclusivamente de gentios (16,11-40;1 Ts 2,2), que mostrou grande afeição para com P. (Flp 1,3-8.10-16). Os magistrados da cidade
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mandaram prender P. e Silas; mas, durante a noite, foram soltos por serem cidadãos romanos.'
Pela Via Egnatia os missionários continuaram sua viagem, por Anfípolis e Apolônia, até Tessalônica. Aí P. pregou durante três semanas na sinagoga e converteu numerosos “tementes a Deus” e alguns judeus, teve também muitas conversas nas casas particulares (1 Ts 2,11s), sobretudo à noite, porque de dia exercia a sua profissão (2,7-10). Apesar da oposição de alguns (2,14), Paulo fundou uma comunidade florescente, composta sobretudo de gentio-cristãos.

.
De Tessalônica P. e Silas partiram para Beréia, onde numerosos judeus e gentios da elite foram conquistados para o cristianismo, até que P., pelas ameaças dos judeus, foi obrigado a abandonar a cidade. Deixou Silas e Timóteo em Beréia e viajou sozinho a Atenas (17,1-5); aí Timóteo se ajuntou a P., mas foi mandado de volta a Macedônia (1 Ts 3,1-6).
Em Atenas Paulo pregou na sinagoga e no mercado. Alguns ouvintes, entre os quais havia filósofos epicuristas e estóicos, pensaram que estivesse anunciado novos deuses; foi convidado para apresentar a sua doutrina no Areópago; aí Paulo pregou o Deus único. Mas, quando começou a falar sobre o juízo e a ressurreição, interromperam-no. Alguns gentios apenas deixaram se convencer Dâmaris e Dionísio.

O Apóstolo aos gentios entristeceu-se profundamente por esse fracasso (1 Ts 3,3s) e desanimou (cf. 1Cor 2,3). Nesse estado chegou a Corinto, com o firme propósito de renunciar doravante à eloqüência e sabedoria humanas, e de só conhecer e pregar o Cristo crucificado (1 Cor 2,2). Em Corinto esteve durante 18 meses hospedado com Áquilas e Priscila. Nos dias de semana exercia a sua profissão; nos sábados pregava na sinagoga. Quando Silas e Timóteo, porém, lhe trouxeram ajuda financeira dos filipenses (2 Cor 11,9; Fp 4,16), dedicou-se ele inteiramente à pregação. Converteu alguns judeus (18,8; 1 Cor 1,14) e muitos pagãos, principalmente das classes mais baixas, sem cultura (1 Cor 1,26).
Em Corinto, Paulo escreveu 1Tes e 2Tes. Invejosos do seu sucesso, os judeus o acusaram diante de Galião, provavelmente no princípio de seu consulado (meados de 52), como propagandista de um “religião ilícita”. Galião, porém, rejeitou a acusação dos judeus. Em Corinto o apóstolo embarcou-se para a Síria, junto com Áquilas e Priscila. Deixou seus companheiros em Éfeso, aterrou em Cesaréia, visitou talvez Jerusalém, e voltou para Antioquia (At 18,18-22).

3. A terceira viagem missionária

a) Resumo e itinerário
Terceira viagem missionária: Paulo vai à Ásia Menor, 18:18-19:41. Viagem de confirmação das igrejas, 18:18-23, Apolo, 18:24-28. Paulo em Éfeso, 19:1-41. Retorno à A. Menor, 19:1=12. Paulo e os exorcistas, 19:13-20. Planos de Paulo sobre o futuro, 19:21-22. O levante em Éfeso, 19:23-41.
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b) A missão da terceira viagem

Terceira viagem (53-58; At 18,23-21,14). Pouco depois partiu novamente para a Galácia (cf. Gl 4,13), onde reinavam a piedade e a paz nas comunidades cristãs (1,6; 5,7), atravessou a Frígia, as montanhas do centro da Ásia Menor e o vale do Meandro, e chegou a Éfeso (At 18,23; 19,1.8.10; 20,31). Aí Priscila e Áquilas já haviam completado a instrução cristã de Apolo, judeu alexandrino douto e eloqüente que com zelo e sucesso pregara o cristianismo na sinagoga, e já partira para Corinto (18,24-28; 19,1).
Em Éfeso Paulo conheceu também uma dúzia de discípulos de João Batista, que ele ganhou para o cristianismo (19,2-7), e pregou durante três meses na sinagoga. Como a maior parte dos judeus continuava incrédula, dirigiu-se aos pagãos, pregando no auditório de um tal de Tirano, provavelmente um retor grego.

Lucas narra detalhadamente alguns episódios das atividades de P. em Éfeso; curas e expulsão de demônios, a destruição de um grande número de livros de magia (19,11-19) e o tumulto que, depois de três anos, ocasionou o fim da estadia de P. naquela cidade (19,23-20,1). At 19,20.26 refere-se em termos vagos à propagação do cristianismo “por toda a Ásia”. De fato, abrira-se para P. em Éfeso “uma porta larga e poderosa” (1Cor 16,9); quem a abriu foi ele mesmo e os seus colaboradores (Timóteo, Tito, Erasto, Gaio, Aristarco e Epafras: At 19,22,29; 2Cor 12,18; Cl 1,7); e fundaram-se comunidades cristãs em Colossos, Laodicéia, Hierápolis (Cl 1,7; 2.1; 4,12s), Tróade (At 20,5-12; 2Cor 2.12) e mui provavelmente também em Esmirna, Tiatira, Sardes e Filadélfia (Ap 1:11).
Em éfeso Paulo sofreu muitas e duras provações: perseguições da parte dos judeus (20:19; cf. 21:27), uma determinada tribulação que “acima de suas forças” o oprimiu, a ponto de ele “perder a esperança de conservar a vida” (2Cor 1:8), uma doença ou perigo mortal (cf. 2Cor 1:9s; 11:23), uma luta contra as feras (1Cor 15:32), seja em sentido literal, seja em sentido metafórico, de uma luta contra homens maus e violentos; afinal, em Rm 16:4 Paulo fala num perigo mortal, do qual foi salvo por Priscila e Áquilas; esse acontecimento desconhecido deve-se localizar provavelmente em Éfeso.
Além disso Paulo andava muito preocupado com algumas comunidades cristãs. Os gálatas quase deixaram afastar-se dele pelos judaizantes; escreveu-lhes Gálatas. Na comunidade de Corinto infiltraram-se graves abusos morais. Paulo reagiu numa carta que se perdeu (1Cor 5:9), e mandou Timóteo e Erasto a Corinto (At 19:22; 1Cor 4:17).
Depois, vieram de Corinto alguns cristãos com uma carta da comunidade, na qual se propunham a P. diversas perguntas. A essa carta P. respondeu com 1 Cor, provavelmente em 55. Entretanto, chegaram a Corinto alguns judeu-cristãos que minaram a autoridade de Paulo. Esse resolveu então ir pessoalmente a Corinto (2Cor 2:1; 12:14; 13:1s). Esta “visita intermediária” efetuou-se em tristeza, pois Paulo não conseguiu quebrar a desconfiança dos coríntios, e foi até ofendido por um cristão (2Cor 2:1.5; 7:12; cf. 12:21).
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Demorou pouco, e voltou a Éfeso, de onde dirigiu “com muitas lágrimas” uma terceira carta aos coríntios (2Cor 2:4,9; 7:8,12). Tito foi portador dessa carta, que não foi guardada. Nela Paulo exigia desagravo e a submissão da comunidade (2Cor 2:9).
Enquanto aguardava o resultado da carta e da missão de Tito, Paulo foi obrigado a deixar Éfeso. Viajou para Tróade (20:1; 2Cor 2:13), onde esperava encontrar-se com Tito. Quando esse demorava, embarcou para Macedônia. Aí encontrou-se com Tito (provavelmente em Filipos) e ouviu, com muita alegria, que os coríntios se submetiam.
Da Macedônia escreveu-lhes 2Cor (em 57). Depois de uma visita às comunidades da Macedônia e, talvez, depois de uma viagem pela Ilíria (Rm 15:19), Paulo cumpriu a promessa já antiga de visitar Corinto (1Cor 16:5), onde ficou três meses (At 20:3). Em Corinto P. escreveu Rm (fins de 57 ou princípios de 58), para preparar uma visita há muito planejada (At 29:21).
Para terminar essa viagem, Paulo queria viajar por mar a Síria, junto com os representantes das comunidades que haviam arrecadado dinheiro para os cristãos, mas, por causa de um atentado contra a sua vida, tramado pelos judeus, viajou por terra. Em Filipos, Lucas ajuntou-se a ele; em Tróade esperavam-no os companheiros de viagem. Em Tróade tomaram o navio para Mileto, onde P. mandou chamar os anciãos de Éfeso, para se despedir; pressentia que nunca mais os veria (20:1-38). Depois navegaram até Tiro, onde profetas tentaram convencer P. que não fosse a Jerusalém. P., porém, continuou sua viagem até Ptolemaide e daí por terra até Cesaréia, onde durante vários dias foi hóspede de Filipe, um dos Sete (At 6:5). Um profeta da Judéia, Ágabo, predisse que em Jerusalém esperavam-no algemas e prisão, mas P. não se deixou reter (21:1-16).

As Missões do Apóstolo Paulo

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As Missões do Apóstolo Paulo

Sabemos que o conceito teológico de Missões é tríplice: a igreja tem uma missão de adorar a Deus em espírito em verdade; tem uma incumbência de edificar a si própria; e tem a grande comissão de evangelizar o mundo. Como referencial de obreiro que Paulo foi, atuou nessas três obras. Entretanto, vamos delimitar a prática missiológica paulina somente às suas heróicas viagens missionárias.
O ambiente de trabalho missionário do apóstolo Paulo foi o Império Romano.
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Antes propriamente de entrarmos em suas viagens, é interessante ter em mente a cronologia da vida do Apóstolo aos gentios. Vejamos:

5 d.C. Nascimento em Tarso, da Cilícia
20-26 Estudos em Jerusalém
26-32 Estudos em Tarso
32-37 Conversão na estrada de Damasco, Atos 9
37-39 Viagem pela Arábia. Gl. 1
35-43 Prega em Tarso e noutros lugares da Cilícia, Atos 9 e Gálatas 1.
43-44 Prega com Barnabé em Antioquia, Atos 11
44-45 Viagem a Jerusalém, durante a fome, Atos 11
45-47 Primeira viagem missionária, Atos 13-14
47-49 Reside em Antioquia da Síria, Atos 11
49 Faz-se presente ao concílio de Jerusalém. Atos 15
49-51 Segunda viagem missionária, Atos 15-18
51-56 Terceira viagem missionária, Atos 18-21
56 Aprisionamento em Jerusalém, Atos 21
56-58 Paulo na Prisão em Cesaréia, Atos 23
58-59 Viagem a Roma, Atos 27
59-61 Confinamento em Roma, Atos 26
61-64 (?) Viagens à Espanha, Creta, Macedônia, Grécia, não mencionadas em Atos, embora indicadas em outros documentos como no cânon muratoriano e nas epístolas de Clemente. Algumas indicações destas viagens existem nas epístolas pastorais.
64-67 Execução em Roma, durante as perseguições movidas por Nero.
1. A Primeira Viagem Missionária
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Atos dos Apóstolos

Em geral, Os Atos relatam três viagens missionárias de Paulo. Essa narrativa às vezes é mui detalhada, às vezes resumida demais. O principal é o seguinte: todas as três viagens começam e terminam na comunidade gentio-cristã de Antioquia e não na comunidade judeu-cristã de Jerusalém
(as epístolas confirmam isso); geralmente Paulo dirigia-se primeiro a seus patrícios mas bem depressa era obrigado a procurar os pagãos.
a) Resumo e itinerário
Primeira viagem missionária: Barnabé e Paulo vão aos gentios, Atos 13:1-14:29. Missão a Chipre, 13:4-12. Missão à Galácia, 13:13-14:28. Missão de Pafos a Perge, 13:13. Missão a Antioquia da Psidia, 13:14-52. Missão a Icônio e Listra, 14:1-18. Missão a Icônio, 14:1-7, Missão a Listra, 14:8-18. Retorno a Antioquia da Síria, 14:19-28.

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b) A Missão da Primeira Viagem
Lucas conservou-nos uma preciosa notícia sobre a organização da comunidade de Antioquia e a liturgia (Atos 13: 1-3).
A primeira etapa da missão foi a ilha de Chipre, de onde Barnabé era originário. O que interessa a Lucas é o primeiro contato do apóstolo Paulo com um magistrado romano, Sérgio Paulo, senador, antigo pretor, muito conhecido por inscrições. Sua família vinha de Antioquia da Pisídia.
Na narração de Lucas, o nome Paulo toma dali em diante o lugar de Saulo: não se pode deduzir daí que Saulo tenha adotado o nome do seu ilustre convertido. Ter um duplo nome era então corrente nos meios bilíngües, como o da família de Paulo. Junto ao governador, Paulo teve de enfrentar um mágico de origem judaica, Elimas (At. 13,8). O sucesso das ciências ocultas era grande na época; o que pode surpreender é que um judeu as pratique. Segundo os Atos, Paulo terá outras ocasiões de se confrontar com mágicos. Na sua carta aos Gálatas, ele classifica as práticas de feitiçaria (pharmakeia) na categoria das obras da carne, próximas da idolatria (Gl. 5,20).
Nas suas cartas, Paulo não faz alusão à missão de Chipre, para onde ele não terá ocasião de voltar. Por que ele abandona a ilha sem a ter visitado toda? Paulo que toma a frente da expedição em direção à Anatólia através dos desfiladeiros do Tauro, covil de bandidos. Mais tarde Paulo fará alusão aos perigos corridos na estrada (2Cor 11,26). Primo de Barnabé, o jovem João Marco teve medo da aventura e abandonou o grupo. Paulo não o perdoou, a princípio.
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a) O discurso de antioquia da pisídia

Quando Paulo chegava numa cidade qualquer, ele começava indo à sinagoga. Lá, ele podia entrar em
contato com os judeus do lugar e os “ tementes a Deus ” , pagãos atraídos para o judaísmo (At 13,26). Como amostra da pregação de Paulo, Lucas nos conservou o discurso de Antioquia da Pisídia (At 13,14-41). Esta era uma colônia romana, fundada por Augusto para instalar aí os veteranos da legio V Gallica. O Sérgio Paulo que se instalou aí devia ser um dos oficiais superiores desta legião.
O discurso de Paulo não tem equivalentes nas Cartas, mas é fácil encontrar um certo número de temas pertencendo à apologética cristã primitiva. Ele se coloca no contexto litúrgico tradicional: depois da leitura de uma passagem da Lei e de uma outra, tirada da coletânea dos profetas, os chefes da sinagoga convidam os visitantes a pronunciar algumas palavras de exortação. Paulo não se fazia de rogado!

O texto de Lucas tem a marca da retórica da época. Do ponto de vista das idéias, o discurso contém uma retrospectiva da história de Israel até Davi.
Ainda que dirigido em prioridade aos judeus, o discurso continha uma ponta universalista: a palavra da salvação vale para os filhos de Abraão como para todos os que temem a Deus (v.26). Sobretudo, ele esboçava uma crítica contra a Lei de Moisés, incapaz de trazer a salvação (v.38). O sucesso junto aos não-judeus apenas aumentou a irritação dos filhos de Abraão. Para se justificar, Paulo declara: “ É a vós por primeiro que devia ser dirigida a palavra de Deus ”(v.46). Paulo será fiel a este por primeiro, como se vê pela declaração de princípio de Rm 1,16: “ O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, do judeu primeiro, e depois do grego”.
Para legitimar a sua passagem para as nações, Paulo cita então uma passagem dos cantos do Servo, que tem uma grande importância na apologética cristã primitiva: “Destinei-te a seres luz das nações,
a fim de que a minha salvação esteja presente até a extremidade da terra” (Is 49.6). Este texto vale em primeiro lugar para Cristo, mas Paulo o aplicou a si mesmo, como mostra Gl 1.15. Assim, portanto, Paulo, servo de Cristo, descobre a sua missão ao reler a Escritura.
b) Pregação aos pagãos de Listra e retorno
Nas cidades que Paulo e Barnabé vão atravessar, o mesmo cenário se reproduz. Como Por exemplo em Icônio (At 14,1-7), a pátria de santa Tecla segundo os Atos de Paulo (acima, p.16s). Em 2Tm 3.13 também se fala dos sofrimentos suportados por Paulo em Antioquia, Icônio e Listra. Nesta última cidade, um incidente tragicômico manifesta bem a credulidade do povo e a dificuldade para os Apóstolos de fazerem-se compreender por uma população pouco helenizada. Uma cura provoca o entusiasmo e o povo logo quer oferecer um sacrifício, como se Barnabé e Paulo fossem Zeus e Hermes em visita.
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No caminho de volta, os apóstolos confirmam os discípulos lembrando-os do sentido cristão da provação: “É necessário que passemos por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus” (At 14,22). Para dirigir as comunidades, Paulo e Barnabé designaram-lhe anciãos (presbyteroi). Este termo era tradicional nas comunidades judaicas para designar os responsáveis. Não surpreende que tenha sido retomado pelos judeu-cristãos: em Jerusalém, a primeira menção aparece já em At 11,30. Por outro lado, não o encontramos nas cartas de Paulo, exceto nas epístolas pastorais, redigidas provavelmente por um discípulo: os anciãos são instituídos por imposição das mãos (1Tm 5,22). Enquanto Paulo pudesse seguir por si mesmo a vida das congregações, a instituição dos ministérios podia permanecer na sombra. Isto não impede que Paulo tivesse a preocupação de apoiar aqueles que haviam aceitado tomar a direção das comunidades, como em Tessalônica ou em Corinto.
Tendo partido de Antioquia com o apoio dos fiéis, os missionários voltam para contar “tudo o que Deus realizara com eles, e, sobretudo como tinha aberto aos pagãos a porta da fé” (At 14,27). Atmosfera de alegria e de ação de graças, bem à maneira de Lucas! Mas os obstáculos foram todos afastados?
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